O homem é um ser espiritual e, por ser assim constituído, vive em um relacionamento de aliança com Deus. Dessa forma, ele é moralmente responsável por suas ações e tem o dever de buscar oo bem; é, também, racionalmente capaz de compreender o significado da vida e tem o dever de operar na esfera da verdade; é uma criatura cultural, capaz e chamado para recriar, reproduzir, formar artisticamente e moldar a criação à sua vontade, com o dever de atuar na esfera do poder, de buscar harmonia e bele e de ter domínio sobre a terra. Essa criatura fantástica é uma réplica, uma analogia da unidade triúna abençoada que o criou. Assi, o homem como criatura racional reflete o Filho eterno, que é a Verdade, a Sabedoria e a Revelação de Deus. Como criatura moral, atuando na esfera do santo, o homem é um reflexo do Espírito de santidade e de santificação, por meio de quem todas as coisas são inspiradas e revigoradas. E, como criatura cultural, o homem é análogo ao Pai, que é o Rei para sempre, que criou o mundo por seu poder. No entanto, o homem opera nessas diversas esferas na unidade de seu ofício, como representante de Deus. Dessa forma, o homem foi colocado neste mundo, criado para ter domínio para governar sobre tudo por amor a Deus. Esse era o seu ofício, sua responsabilidade, sua obrigação. Esse ofício tem três facetas: profeta, sacerdote e rei, as quais jamais podem operar em separado, mas somente em unidade e acordo. Ora, o homem que, como profeta, conhece a verdade e, como sacerdote, ama seu Deus, é chamado de rei para subjulgar o universo e ter domínio sobre ele”.
(O Conceito Calvinista de Cultura, Henry R. Van Til, pg. 34)