terça-feira, 30 de novembro de 2010

a arte e o sermão

Um sermão exige autoridade, clareza e um desafio pessoal. A arte, por outro lado, muitas vezes trata da dúvida, da ambiguidade e da autocrítica.
(Steve Tuner, crítico de música na Revista Rolling Stone, em Cristianismo Criativo, pg. 74)

a verdade

Não há pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez, e um só caminho, e está sempre em desvantagem.
(Robert Musil, O Homem Sem Qualidades, pg. 78)

sábado, 20 de novembro de 2010

justiça ao trabalhador

Criados, trabalhadores, e artesãos de todas as sortes compõem a grande maioria de toda a sociedade política. Ora, o que melhora as condições de vida da maior parte nunca pode ser considerado um inconveniente para o todo. Decerto, nenhuma sociedade pode ser próspera e feliz, se a maior parte dos seus membros está reduzida à pobreza e à miséria. Além disso, a mera eqüidade exige que os que alimentam, vestem e proporcionam habitação a todo o conjunto de pessoas desfrutem de uma parte do produto de seu próprio trabalho suficiente para lhes permitir andar razoavelmente bem alimentados, vestidos e abrigados.
(Adam Smith, A Riqueza das Nações, pg. 99)

liberdade para trabalhar

A mais sagrada e a mais inviolável de todas as propriedades é a do próprio trabalho, porque ela é o fundamento originário de todas as outras propriedades. O patrimônio de um homem pobre reside na força e na destreza de suas mãos, e impedí-lo de empregar essa força e destreza da maneira que julga apropriada, desde que não cause prejuízo a seu próximo, constitui violação manifesta da mais sagrada propriedade. Trata-se de uma flagrante usurpação da lícita liberdade, tanto do trabalhador como dos que estariam dispostos a dar-lhe trabalho; é impedir, a um só tempo, o primeiro de trabalhar no que julgar conveniente, e os últimos, de empregar quem melhor lhes pareça. Decerto se pode confiar na prudência do empregador para julgar se o trabalhador que escolhe é adequado para o emprego, porque isso lhe interessa diretamente. Essa afetada preocupação do legislador em impedir que se empreguem pessoas incapazes é evidentemente tão absurda como opressiva.
(Adam Smith, A Riqueza das Nações, pg. 155-156)

desigualdades provenientes da falta de liberdade

Esse efeito é produzido principalmente de três maneiras: Primeiro, restringindo a concorrência em certos empregos a um número menor de indivíduos que, de outro modo, estariam dispostos a entrar nela; segundo, elevando, em outros empregos, o número dos concorrentes acima do que naturalmente comportariam; e, terceiro, obstruindo a livre circulação de trabalho e capital, tanto de um emprego a outro como de um lugar a outro.
(Adam Smith, A Riqueza das Nações, pg. 151)

possibilidade

… o senso de possibilidade pode ser definido como a capacidade de pensar tudo aquilo que também poderia ser, e não julgar que aquilo que é seja mais importante do que aquilo que não é.
(Robert Musil, O Homem Sem Qualidades, pg. 34)

arte, poesia e vida interior

As artes plásticas fazem-nos ver o mundo sensível em toda a sua riqueza e variedade. O que saberíamos dos inúmeros matizes no aspcto das coisas não fosse pelos trabalhos dos grandes pintores e escultores? Do mesmo modo, a poesia é uma revelação de nossa vida pessoal. Os inúmeros potenciais de que tínhamos apenas um vago e obscuro pressentimento são trazidos à luz pelo poeta lírico, pelo romancista e pelo autor dramático. Essa arte não é, de modo algum, simples falsificação ou réplica, mas uma manifestação genuína de nossa vida interior.
(Ernst Cassirer, Ensaio Sobre o Homem, Introdução a uma filosofia da cultura humana, pg. 276)

arte e racionalidade

A arte não está acorrentada à racionalidade das coisas ou eventos. Pode violar todas as leis da probabilidade que os teóricos clássicos da estética proclamaram como as leis constitucionais da arte. Pode apresentar-nos a visão mais bizarra e grotesca, e mesmo assim ter uma racionalidade própria — a racionalidade da forma.
(Ernst Cassirer, Ensaio Sobre o Homem, Introdução a uma filosofia da cultura humana, pg. 273)

o talento do artista

O verdadeiro talento do artista é “extrair” beleza da natureza. Pois a arte permanece firmemente fixa à natureza — e só aquele que conseguir transportá-la de lá a possuirá.
(Albrecht Dürer)

a arte

A arte nos apresenta os movimentos da alma humana em toda a sua profundidade e variedade.
(Ernst Cassirer, Ensaio Sobre o Homem)

teoria e prática

Desde o início, a religião teve de cumprir uma função teórica e uma função prática. A religião traz em si uma cosmologia e uma antropologia; responde à questão da origem do mundo e da origem da sociedade humana, e deriva desta origem os deveres e as obrigações do homem.
(Ernst Cassirer, Ensaio Sobre o Homem)

simbolismo

Sem o simbolismo… a vida do homem ficaria confinada aos limites de suas necessidades biológicas e seus interesses práticos; não teria acesso ao “mundo ideal” que lhe é aberto em diferentes aspectos pela religião, pela arte, pela filosofia e pela ciência.
(Ernst Cassirer, Ensaio Sobre o Homem, Introdução a uma filosofia da cultura humana)

a arte é um dom de Deus

A arte também é um dom de Deus. Como o Senhor não é apenas verdade e santidade, mas também glória e expande a beleza de seu nome sobre todas as suas obras, então Ele, também, que pelo seu Espírito, equipa os artistas com sabedoria e entendimento e conhecimento em todo tipo de trabalhos manuais (Ex 31:3; 35:31). A arte é, portanto, em primeiro lugar, uma evidência da habilidade humana para criar. Essa habilidade é de caráter espiritual, e dá expressão aos seus profundos anseios, aos seus altos ideiais, ao seu insaciável anseio pela harmonia. Além disso, a arte em todas as suas obras e formas projeta um mundo ideal diante de nós, no qual as discórdias de nossa existência na terra são substituídas por uma gratificante harmonia. Desta forma a beleza revela o que neste mundo caído tem sido obscurecido à sabedoria mas está descoberto aos olhos do artista. E por pintar diante de nós um quadro de uma outra e mais elevada realidade, a arte é um conforto para nossa vida, levanta nossa alma da consternação e enche nosso coração de alegria.
(Herman Bavink, Teologia Sistemética, pg. 22)

o belo e o sublime

… mantenho meus olhos fixos sobre o Belo e o Sublime em seu significado eterno, e sobre a arte, como um dos mais ricos dons de Deus para a humanidade.
(Abraham Kuyper, Calvinismo, pg. 151)

as artes

A invenção das artes e outras coisas que servem ao uso comum e ao conforto desta vida é um dom de Deus que não é de desprezar e uma virtude digna de louvor.
(João Calvino, citado por André Biéler em O Pensamento Econômico e Social de Calvino, pg. 573)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

vocação

A ação do camponês cuidando de suas ovelhas, feita conforme deve ser, é tão boa obra diante de Deus quanto a ação do juiz em dar uma sentença, ou de um magistrado na regência, ou de um ministro na pregação da Palavra.
(William Perkins, Tratato das Vocações ou dos Chamados dos Homens, citado por Os Guinness em O Chamado, pg. 42)

trabalho e vocação

Os trabalhos de monges e sacerdotes, por mais santos e ardorosos que sejam, não diferem um til à vista de Deus das obras do rústico lavrador no campo, ou da mulher nos seus afazeres diários da cas, mas todas as obras são medidas perante Deus somente pela fé… Na verdade, o trabalho de um doméstico muitas vezes é mais aceitável para Deus do que os jejuns e demais obras de um monge ou sacerdote, quando o monge ou sacerdote não tem fé.
(Martinho Lutero, O Cativeiro Babilônico da Igreja, citado por Os Guinness, em O Chamado, pg. 41)

graça comum

Confesso de bom grado que tem sempre havido alguns grãos de piedade semeados por todo o mundo, e não há dúvida de que, por assim dizer, haja Deus como que semeado pela mão dos Filósofos e autores profanos essas belas sentenças que se encontram nos seus livros.
(João Calvino, citado por André Biéler em O Pensamento Econômico e Social de Calvino, pg. 567)

influência do calvinismo

O Calvinismo foi uma força ativa e radical. Era uma féque buscava não somente purificar o indivíduo, mas ainda reconstruir a Igreja e o Estado e renovar a sociedade, fazendo penetrar em cada setor da vida pública e privada a influência da religião.
(R. H. Tawney, citado por André Biéler em O Pensamento Econômico e Social de Calvino)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

comércio e liberdade

Enriquecendo-se os cidadãos ingleses, o comércio contribui para torná-los mais livres, e, por sua vez, a liberdade ampliou o comércio.
(Voltaire, Os Pensadores, pg. 16)

liberdade e escravidão

Eis uma diferença mais essencial entre Roma e a Inglaterra, vantajosa para esta última: em Roma, o fruto das guerras civis foi a escravidão, na Inglaterra, a liberdade.
(Voltaire, Os Pensadores, pg. 13)

a importância das instituições na democracia

…penso que, se não se chegar a introduzir pouco a pouco e a fundar enfim entre nós instituições democráticas e se se renunciar a dar a todos os cidadãos ideias e sentimentos que primeiro os preparam para a liberdade e, em seguida, permita-lhes fazer uso desta, não haverá independência para ninguém, nem para o burguês, nem para o aristocrata, nem para o pobre, nem para o rico, mas uma tirania igual para todos; e prevejo que, se não se conseguir, com o tempo, fundar entre nós o império pacato da maioria, chegaremos cedo ou tarde ao poder ilimitado de um só.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, vol. I, pg. 371)

defeito e virtude da democracia

A vontade democrática é mutável; seus agentes, grosseiros; suas leis, imperfeitas; concedo. Mas, se fosse verdade que logo não devesse existir nenhum intermediário entre o império da democracia e o jugo de um só, não deveríamos tender antes a um, em vez de nos submeter voluntariamente a outro? E, se fosse necessário enfim chegar a uma igualdade completa, não seria melhor deixar-se nivelar pela liberdade do que por um déspota?
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, vol. I, pg. 371)

as instituições e a nossa liberdade

Não seria necessário considerar o desenvolvimento gradual das instituições e dos costumes democráticos não como o melhor, mas como o único meio que nos resta de ser livres? E, sem amar o governo da democracia, não ficariam as pessoas dispostas a adotá-lo como o remédio de melhor aplicação e mais honesto que possam opor aos males presentes da sociedade.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, vol I, pg. 370)

produção e dinheiro

— Já procurou a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a fazer isso. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na Terra. …A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. …O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de suas capacidades. O homem honesto é aquele que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meior do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro se baseia no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias. …O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana. Exige que compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau de produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Esse é o código da existência, cujos instrumentos e símbolo são o dinheiro.
(Ayn Rand, A Revolta de Atlas, Ed. Sextante, pag. 84)

a origem do dinheiro

Ele é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzí-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que recorrem às lágrimas para pedir produtos, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível por intermédio dos homens que produzem. …Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que será trocado pelo produto do esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra, e é por meio deles que você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo ao seu redor existam homens que não traem aquele princípio moral que é a origem do dinheiro.
(Ayn Rand, A Revolta de Atlas, Ed. Sextante, pag. 83)

a natureza humana

…Para ele, o homem era um ser de múltiplas vidas e múltiplas sensações, uma criatura complexa e com uma infinidade de facetas, que levava em si heranças estranhas de pensamentos e de paixões e cuja carne estava minada pela enfermidade monstruosa da morte.
(Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, pg. 173)

valores

Hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada.
(Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, pg. 63)

vícios e virtudes

Feliz terra o novo mundo, onde os vícios do homem são quase tão úteis à sociedade quanto suas virtudes.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, Livro I, pg. 334)

limites da democracia: o individual e o coletivo

…o que é a maioria tomada coletivamente, senão um indivíduo que tem opiniões e, na maioria dos casos, interesses contrários a outro indivíduo, denominado minoria? Ora, se você admitir que um homem investido da onipotência pode abusar dela contra seus adversários, por que não admite a mesma coisa para uma maioria? Os homens, reunindo-se, mudaram de caráter? Tornaram-se mais pacientes diante dos obstáculos tornando-se mais fortes? Quanto a mim, não poderia acreditar em tal coisa; o poder de fazer tudo, que recuso a um só de meus semelhantes, nunca vou conceder a muitos.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, Livro I, pg. 295)

vícios e virtudes

Feliz terra o novo mundo, onde os vícios do homem são quase tão úteis à sociedade quanto suas virtudes.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, Livro I, pg. 334)

os melhores

Nada pode tornar moral a destruição dos melhores. Não se pode ser punido por ser bom, ou pagar por ter sido hábil.
(Ayn Rand, A Revolta de Atlas, pg. 87)

paixões

As paixões que agitam mais profundamente os americanos são as comerciais, não as políticas; ou, antes, eles transpõem à política os hábitos do negócio. Gostam da ordem, sem a qual os negócios não poderiam prosperar, e apreciam particularmente a regularidade dos costumes, que funda as boas casas; preferem o bom senso que cria as grandes fortunas ao gênio que não raro as dissipa.
(Alexis de Tocqueville, A Democracia na América, Livro I, pg. 335)

negociante

…não sei o que é mais útila um Estado: um senhor empoado que sabe a que horas o rei se levanta e se deita, com ares de grandeza fazendo papel de escravo na antecâmara de um ministro, ou um negociante que enriquece seu país, dá ordens a Surato e ao Cairo sem sair de seu gabinete, e contribui para a felicidade do mundo.
(Volaire, Os Pensadores - Cartas Inglesas, pg. 16)